• Lorena Buiatti

Pássaros no fio e a poesia ao seu redor


Navegando tranquilamente pela internet encontro a história de um publicitário e músico chamado Jarbas Agnelli que, ao ver a fotografia de Paulo Pinto que representava pássaros em um fio, publicada pelo jornal Estado de São Paulo, criou uma música seguindo a disposição das aves na rede elétrica. O projeto ganhou proporções mundiais e ficou muito conhecido (em 2009, sim é ‘matéria antiga’).

Ao terminar de compor no piano, Jarbas enviou a música para Paulo, que ficou muito emocionado e enviou ao publicitário a foto original (o jornal havia cortado um pedaço). Agnelli ganhou então mais 8 notas, quatro no início e quatro ao final, para “completar a melodia”, segundo palavras do mesmo.

Deixo-lhes então, com um vídeo onde ele conta essa história e apresenta a música;

O que muito me surpreendeu foi o que ele disse:“Podemos ver poesia em qualquer lugar, basta um olhar diferente”. Em partes porque eu sempre concordei com isso, mas também achei interessante ver “alguém de fora” dizê-lo.

Acho incrível quando alguém transforma algo quotidiano em poesia, em um belo texto, gravura, música. Acho maravilhosas as pessoas que sabem apreciar o canto de um pássaro, o barulho da chuva. São doces as pessoas que fazem poesia com um sorriso ou um olhar. Felizes aqueles que se dispõe a apreciar o que é belo e simples. Sábios são os que se atentam a detalhes.

As pessoas mais reconhecidas e conhecidas, de tempos remotos até hoje, são as que buscaram um novo olhar, uma nova forma de ver. Da Vinci, Einstein, Newton, Obama, Machado de Assis, Verne, Beatles, foram e são revolucionários. Partiram do pequeno e fizeram-se grandes. Trouxeram poesia e conhecimento. Lutaram e revolucionaram.

É fácil ver a beleza ao seu redor. Basta olhar para a natureza, ela é bela e perfeita. Se eu realmente acredito em alguma divindade, é ali que eu a busco. No simples canto de um pássaro ao lado de sua janela, no latido de um cachorro no quintal vizinho, no florescer, nos frutos e nos sabores.

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