• Lorena Buiatti

O sentido da vida




A vida não tem um sentido definido, não segue as leis da física e, infelizmente, não se resume a 42 (leia aqui). A sua única certeza enquanto ser vivo é que você irá morrer. Não se sabe quando, como, onde, porque, mas irá acontecer. Então, eu lhe pergunto, para quê se preocupar tanto?

Você vive em um mundo com mais de 7 bilhões de pessoas. A cada momento, nascem e morrem pessoas, tantas que nem se sabe. E você (lembre-se, caro leitor, eu uso “você” de forma a incluir a todos nós) preocupa-se com coisas e pessoas pequenas. Às vezes, nem tão pequenas. Afinal, você tem instintos, precisa sobreviver. Não viver, sobreviver.

O que o leva a pensar que você fará algo para impactar o mundo. Eu gostaria de ser lembrada. Mas o que fazer? Esse nosso mundo é tão cheio de efemeridades. Nós, caro leitor, iremos passar a vida em um ciclo vicioso que se repete desde os princípios.

Nascemos, exploramos o suor e o amor de nossos pais. Crescemos e nos tornamos exigentes, queremos coisas específicas, brigamos e causamos intrigas se não conseguimos. Fazemos alguns amigos, vamos à escola. Ficamos indignados por termos sidos deixados ali por nossos progenitores.

Crescemos mais um pouco e nos tornamos ainda mais exigentes, entramos em brigas, criamos vínculos e pontes, disputamos status. Estudamos mais e começam a nos cobrar. Alguns saem de casa, outros continuam explorando o suor e o amor paterno. Levamos surras (literais) e sempre buscamos uma forma, um estímulo para nos levantarmos (os que não conseguem, ficam e minguam). Somos estimulados a, cada vez mais, acumular capital. Nos tornamos loucos com isso. Alguns de nós têm parceiros, alguns têm amantes, alguns não têm ninguém. E, em um “piscar de olhos”, a vida passou. Os dias chegam ao fim e você vai.

Vai, vai, vai. Mas vai para onde? Ninguém sabe ao certo dizer e milhões morrem e brigam tentando descobrir. Porém, o fato é, sua vida, tão singular e comum ao mesmo tempo, não significará nada (absolutamente) para milhares, bilhares de pessoas no planeta. Não quero levar ninguém ao suicídio, mas pense. Você se esforça, conquista objetivos, conhece e se envolve com outras pessoas e ainda assim não é ninguém. Nem mesmo os grandes poderosos resistem ao tempo.

Eu, particularmente, não gosto de refletir sobre, mas sempre me pego no assunto e sempre acabo com lágrimas nos olhos. Não é fácil perceber sua impotência. Você é um grão de areia.

Cheguei a uma conclusão, afinal é importante uma filosofia de vida. Não sei o que há após esta vida, não sei se há Inferno, se simplesmente desaparecemos ou se ficamos em um “plano diferente”, mas é certo que bens materiais não são uma opção. Por isso, quando esta minha vida ao fim chegar, quero ter certeza de apenas duas coisas: Que comi bem e dormi o suficiente.

made with ♥ in MG, 2020