• Lorena Buiatti

Alexandre Frota e a forma que enxergamos as mulheres



Esses dias, no programa do Rafinha Bastos, o sempre polêmico e nada engraçado (ou interessante) em várias maneiras, Alexandre Frota, contou uma “história”, inocente a princípio, onde ele teria ido “se consultar”, não sei a expressão correta, com uma mãe de santo. Ele achou a mulher atraente e, a partir daí, iniciou uma relação sexual, onde ele não nos conta se houve consentimento explícito dela.


Ok, mesmo que tenha havido consentimento. Que tipo de homem é esse que decide que quer “comer” a mulher e simplesmente faz isso? Onde está o respeito pelo corpo do outro? Você não pode dominar alguém pelo seu prazer. Na entrevista, Frota diz que a mulher não responde se ela quer fazer sexo com ele também. Ele a vira e a coloca “de quatro”.

Depois de ver a entrevista fiquei revoltada e fui procurar mais a respeito. Em um site, há uma nota onde diz que Alexandre admitiu que era uma brincadeira toda a história, que fazia parte de uma peça de stand up que ele apresentou. Agora, venha cá e me conte, que tipo de mente doentia usa isso como piada? Nos faz pensar realmente o que realmente a mulher vale. Quero dizer, é tão normal assim machucar um ser humano que isso vira brincadeira? Isso, para mim, mostra o quão atrasados estamos (ok, eu sei que tem países muito piores), mas veja só, o cara “brincou” (entre aspas, por que eu não posso acusar ninguém aqui) que atacou e fez uma mulher desmaiar e é aplaudido. Ele, inclusive, durante a entrevista, puxou uma menina da plateia pra representar “uma bunda” e isso foi completamente normal ali. ISSO NÃO É NORMAL, CARA, NÃO É.

Mulheres e homens são diferentes? Claro, mas biologicamente! Numa sociedade “moderna”, “racional” e “desenvolvida” ambos os sexos, que tem os mesmo deveres, deveriam ter os mesmos direitos. É inadmissível que ainda tenhamos tantos fatores contra a mulher; salários menores, por exemplo, e o medo. Principalmente o medo.

Muitas piadas foram, e ainda serão, feitas sobre isso, mas um homem anda sem camisa por aí tranquilamente. Ele sai de casa usando uma bermuda e não é assediado por isso. Ele não sente sobre si olhares o tempo todo, ele não tem medo de ser estuprado. A mulher quando é assediada não é vítima, é culpada: ela que usou uma roupa curta demais, ela pediu para sofrer abuso, “que isso, um assobio nunca matou ninguém”.

Eu sou uma pessoa, grande parte do tempo, temerosa. E um dos meus maiores medos é ser estuprada. Deve ser uma dor grande demais, muito além de qualquer sentimento que consiga imaginar. Eu sinto muito por todas que já passaram e superaram isso, vocês são exemplos.

Não é pedir muito quando se fala de respeito, de igualdade. Assim como todos querem viver num mundo de paz, onde os bandidos estejam atrás das grades e não as pessoas de bem. Nós mulheres acrescentamos a este sonho a vontade de sair sem medo, de fazermos o quisermos sem culpa, de sermos também reconhecidas e de não sermos motivos de risada na boca de pessoas sem noção.

Imagem: retirada do Flickr de Donna Muccio


That’s all folks!

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